A escola seja do sistema público ou privado, é um dos primeiros lugares que crianças tem o primeiro contato com o racismo. Muitas vezes o racismo aplicado é estrutural e recreativo, e educadores tem a missão de trabalhar numa perspectiva antirracista.
Nesse contexto o Afroturismo apresenta-se como uma das estratégias para o cumprimento da lei 10639/03, que insere o estudo da história e da cultura afro-brasileira no ensino básico.
A Importância do Afroturismo na Educação
Afroturismo é uma forma de turismo que busca explorar e vivenciar a cultura, história, tradições e patrimônio dos povos de origem africana em diferentes destinos. Essa modalidade de turismo se concentra em proporcionar experiências autênticas e enriquecedoras, destacando as contribuições da diáspora africana para a formação cultural e histórica das regiões visitadas.
O Afroturismo pode incluir visitas a museus e centros culturais que abordam a herança africana, participação em eventos culturais, como festas, danças e celebrações, exploração de sítios históricos relacionados à escravidão e à luta pela liberdade, além de encontros com comunidades locais que preservam suas tradições e práticas ancestrais.
A Lei 10.639/03 é uma legislação brasileira que estabelece a obrigatoriedade do ensino da História e Cultura Afro-Brasileira e Africana nas escolas públicas e privadas do país. A importância do Afroturismo em relação a essa lei está relacionada à valorização e à promoção da cultura afrodescendente, não apenas no âmbito educacional, mas também no contexto do turismo.
O Afroturismo é uma maneira de vivenciar e disseminar a cultura afro-brasileira de forma prática e imersiva, indo além das salas de aula. É o estar in loco na história e evidenciar uma cultura muitas vezes apagada. Ao incluir experiências culturais e históricas relacionadas à diáspora africana em roteiros turísticos, o Afroturismo contribui para: conscientização e educação; inclusão social; e preservação do patrimônio cultural.
Embora o Afroturismo seja uma estratégia interessante, a sua aplicação depende dos professores do espaço educacional. Há barreiras como a formação de professores incompleta e também a presença do racismo estrutural na sociedade que perduram séculos. A questão racial é um problema gigante nas escolas e mudar estereótipos raciais dentro do ambiente educacional é o maior desafio atual. A lei 10639/03 existe há 20 anos e até hoje é pouco aplicada e considerada por muitos educadores. É necessário uma gestão consciente que busque para a sua equipe estratégias de letramento racial para lidar diretamente com os alunos. O afroturismo é nesse contexto uma das ações eficazes a serem apresentadas a docentes e gestores na luta antirracista. Nesse contexto, na região Sudeste vale se apropriar de circuitos culturais como o da Pequena África no Rio de Janeiro; visitas a quilombos urbanos e rurais; terreiros de Matriz Africana; roteiros afros em bairros como o da Liberdade em São Paulo ou Madureira no Rio de Janeiro, entre outros.
Assim, o Afroturismo desempenha um papel relevante na efetivação da Lei 10.639/03 ao proporcionar experiências que enriquecem o conhecimento sobre a cultura afrodescendente e suas contribuições para a sociedade brasileira, promovendo, assim, a valorização e o respeito à diversidade cultural e racial do país
Emily Borges
Graduada em Turismo pela UFRRJ.
Docente no Turismo no Ensino Profissional.
Guia de Turismo Regional/Nacional América do Sul.